EXPEDIÇÃO CUENCA 2001

Um Monumento à Escalada... Um Paraíso para a Espeleologia.
Situada na nossa vizinha Espanha, Cuenca é reconhecida como uma das mais conhecidas escolas de escala da Península Ibérica. No entanto, Cuenca é muito mais do isso, é Património da Humanidade e para felicidade nossa, património da Espeleologia.
E por falar em património da Humanidade, porque não salientar o de Sintra que com tudo o que tem de Natural, tem ainda uma Associação de Espeleólogos pronta a descobrir e explorar as maravilhas do mundo subterrâneo.

Foi isso que aconteceu no passado mês de Outubro, data em que se realizou mais uma Expedição da Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES), desta vez, à deslumbrante região de Cuenca.
Foram 20 os espeleologos da AES que em colaboração com a Federação Madrilena de Espeleologia, tentaram explorar e compreender o funcionamento do subsolo do monumental Maciço Calcário de Cuenca.

Aproveitando o fim de semana alargado do 5 de Outubro, a equipa fez-se à estrada e depois de 10 horas de viagem, finalmente chegaram a Cuenca. Montado o acampamento era hora de organizar as equipas e iniciar a prospecção das cavidades.

A sexta-feira foi ocupada com a visita ao famoso lapiás da Cidade Encantada e com a exploração da Cueva del Tio Manolo, gruta que veio a revelar importantes fenómenos do ponto de vista geológico.

Para sábado estavam reservadas as explorações aos grandes algares da região, programa que foi alterado devido à subita mudança do tempo.

A chuva que caíu durante a noite não se fez rogada e durante todo o dia Cuenca foi palco de um valente espectaculo molhado alternado entre chuva torrencial ou apenas chuviscos, da mais grossa, da mais fina, enfim um pouco de tudo em forma de brinde aos espeleólogos. Infelizmente toda esta água levou a cancelar as explorações aos algares, porque um pouco ao contrário de Portugal, quando chove em Cuenca, toda a água é rápidamente conduzida aos grandes algares, e segundo estudos efectuados no local, em cerca de 15 a 20 minutos atinge o caudal máximo. Se para muitos será dificil imaginar o que são grutas deste porte com máximo caudal de àgua, para alguns menos afortunados a oportunidade de observar este fenómeno custou-lhes a vida. Ao longo dos últimos anos perdeu-se a conta ao número de espeleólogos espanhóis que morreram no interior das cavidades, vitimas da rápida subida das àguas. Deles resta apenas a homenagem dos seus colegas em forma de placas funebres à entrada das grutas.

Mas nem tudo foi mal, antes pelo contrário, mesmo fustigados pelo mau tempo, uma equipa de espeleólogos encontrou uma caviade perto da Cidade Encantada que viria a revelar um desenvolvimento horizontal com cerca de 400 metros.

O regresso ficou para o Domingo com tempo ainda de visitar a nascente do rio Cuervo (um dos mais emblemáticos rios da região de Castilha la Mancha) e a espectacular cidade de Toledo, também ela património mundial da humanidade.

Fica agora em aberto qual será o local da próxima expedição da AES, talvez às Canárias, ao Hawai ou quem sabe a Marrocos! Pelos menos é garantido o bom tempo! :)

Texto - Rui Pereira